OS DESÍGNOS DA ARTE CONTEMPORÂNEA NO BRASIL - SERGIO LUCENA

Durante anos a linguagem de Sergio Lucena esteve voltada para a magia, para o encantamento, mas depois de abandonar os seres fantásticos que povoaram seu imaginário, voltou sua expressão plástica para as poéticas da luz e da cor. O artista diz que sua pintura atual, de síntese cromática, traz reminiscências da infância na Paraíba, dos vastos horizontes de sua terra natal.

Nas primeiras pinturas, que deram origem à presente fase, já percebemos a riqueza das infindáveis variações tonais que compõem zonas diáfanas de cor. Não há contornos nem linhas nessas pinturas. A cor, ou melhor, os tons que se agrupam e que afastam, constroem o espaço.

A luz se faz presente na alternância das tonalidades nas transparências e provoca renovada dinâmica ao espaço pictórico. Isto é, as massas de maior ou menor intensidade tonal se articulam entre si formando conjuntos que se renovam. Assim, podemos reagrupar visualmente esses conjuntos de cor e de luz que, no nosso imaginário, podem sugerir paisagens.

Depois vieram as telas nas quais há duas áreas horizontais, decorrentes de alternância de intensidade cromática. Contudo o espaço não se fragmenta, pelo contrário, se unifica no diálogo entre as diferentes tonalidades.

Nos últimos anos, Sergio Lucena deu um salto de grande síntese na sua expressão plástica e produziu telas de pura vibração cromática. A cor dominante é fortemente tensionada pela luz na construção do espaço. Em algumas de suas pinturas atuais notamos a presença de uma lumino­ sidade de forma circular que parece emergir do fundo para a superfície de modo expansivo, como uma onda que reverbera no espaço.

As pinturas de Sergio Lucena exigem conhecimento do fazer artístico, maestria e trabalho intenso, pois a superfície vibrante de cor é resultado de inúmeras e sucessivas camadas de tinta à óleo sobrepostas, com suas variações tonais. Levíssimas camadas!

Através de técnica apurada o artista obtém uma poética do inefável, plena de energia, de vitalidade, pulsante como a vida, no seu embate amoroso com a cor, a luz e espaço.

Fabio Magalhães