HILÉIA - MAI-BRITT WOLTHERS - RIO DE JANEIRO

24.09.10 a 31.10.10
Exposição no Centro Cultural Correios - RJ

A artista plástica dinamarquesa Mai-Britt Wolthers expõe uma série de 16 telas de grandes formatos, nas quais revelam seu encantamento com a exuberância da natureza brasileira. Longe da representação naturalista, as cores vibrantes se contrastam em ocres e cinzas, passeando entre claros, escuros e vigorosos traços e gestos revelando a densidade poética e a contemporaneidade de sua arte.

“Diante da profusão diversa da mata atlântica e da Amazônia, não era mais possível contar apenas com a razão. Sou estrangeira, mulher, mãe. Há algo instintivo muito forte em minha pintura, uma busca pela sensibilização sobre a importância da natureza, destas belezas naturais ameaçadas. Queria falar sobre esta necessidade de preservação. Sou mais uma estrangeira a olhar esta exuberância da floresta brasileira”, analisa Mai-Britt.

Mai-Britt Wolthers chegou ao Brasil em 1986 e ficou encantada com a beleza das paisagens tropicais. Apaixonada por pintura, já não se contentava com aquarelas e a pintura acadêmica. Ao mudar-se para Santos-SP aprofundou-se em estudos e exercícios num ateliê dentro da mata atlântica. Inevitável falar das nossas belezas naturais, mas ela buscava um “discurso contemporâneo”. Estudou gravura, pintura, metal, buscou novas referências, se inseriu nas discussões contemporâneas sobre arte, foi acompanhada por João Santos, Paulo Pasta, Juliana Monaquesi, Gui Amado, Rafael Campos Rocha, José Bento Ferreira.

Para José Bento Ferreira, Mai-Britt parece refazer o caminho de mestres como o holandês Frans Hals (o primeiro a registrar nossas paisagens no século 17); o lituano Lasar Segall e o italiano Alfredo Volpi. Eles mudaram de estilo diante da realidade brasileira. “Sua pintura alia uma herança expressionista, que lembra o vigor desesperado de Edvard Munch e as cores selvagens de Franz Marc. O resultado deste trabalho é uma pintura que mantém a força da tensão dramática, porém com maior economia de meios”.

“Com menos cores, ressaltando linhas tênues que se perdem em meio ao mar revolto de pinceladas, como caminhos em meio à mata, que não levam à parte alguma. A mudança de fisionomia das pinturas reflete uma reformulação da idéia de natureza. Ou melhor, em lugar da natureza intocada, pura e absoluta da “terra sem males”, ao concentrar sua atenção na especificidade da pintura, Mai-Britt Wolthers passa a tematizar o gesto humano que desbrava a paisagem, como um símile do gesto que produz o trabalho de arte”, acrescenta José Bento Ferreira.