NO DEVANEIO NEHUMA LINHA É INERTE - MALU SADDI


No devaneio nenhuma linha é inerte é o título da primeira exposição individual da artista Malu Saddi na Galeria Eduardo H Fernandes.

A obra da artista Malu Saddi apresenta um mundo fantástico que relaciona organismos extraídos e reinventados dos reinos animal, vegetal e mineral. Coexistem no mesmo espaço; flores e músculos, folhas e penas, ossos e pedras, espinhos e sangue.

A mão firme segura lápis e caneta para o desenho de traço fino e delicado criar estruturas minuciosas, que avançam lentas sobre o espaço do papel. Expressa um desejo de continuidade, como se o trabalho não terminasse; fosse circular. Já nas fotografias relaciona sua própria mão com outros organismos da natureza. 

Na obra da artista tudo torna-se natureza. Desenvolve uma espécie de sistema, um inventário próprio constituído de alquimia e ritual. Cria relações de aproximação e contato entre seres distintos, para deixar marcas, contaminar e potencializar as partes.
Para ela não existe soberania na natureza - “Eu me relaciono com os objetos porque eles me rodeiam, a pedra, a flor, a pena... Eu os vejo como organismos vivos, da mesma maneira como sou um... Penso o corpo como um espaço de possibilidades que permite a manifestação da fantasia. E meu trabalho é resultado desta relação do meu corpo e mente com estes organismos. Busco uma relação de sutileza que não termina com a obra!”, analisa Malu.


Nas fotografias sua mão aparece como elemento de elo com outros organismos da natureza. “A mão que segura a pedra nunca mais será a mesma, como a pedra também terá marcas por mais sutis que pareçam“. Em outra obra fotográfica, o dedo balança uma flor pendurada que torna-se mancha; a artista destaca que com esse gesto, tira a flor de sua imagem inerte de contemplação e a impulsiona a revelar o potencial implícito de desenho e possibilidades de arquitetura que a flor carrega dentro de si. A mão  aparece como o elemento que ativa o ser para fora do estado de inércia. 

Sua pesquisa com desenhos teve início ainda quando estudava Artes Plásticas na Fundação Álvares Penteado (FAAP), em 2004, e posteriormente se ampliou com a fotografia. “Este tema não tem fim e quero explorar sempre os organismos, porque a arte pra mim é uma opção de vida absolutamente irreversível!”, sentencia a artista, sabedora de que No devaneio nenhuma linha é inerte.

Eduardo Fernandes