SERGIO LUCENA

Sergio Lucena nasceu na Paraíba, e passou sua infância no árido sertão de tradições arraigadas e personagens surrealistas, que tiveram um profundo impacto sobre toda sua obra – desde as primeiras pinturas figurativas de criaturas bizarras em ambientes circenses ou teatrais, passando pelo ponto de inflexão que apontava para a abstração, até às grandes superfícies luminosas que ele vem construindo pelos últimos 14 anos.

Quando criança, suas experiências naquele lugar suscitaram uma forte conexão com a natureza e seu poder telúrico, e uma lembrança primordial de subir em uma massiva pedra para alcançar uma visão desimpedida daquele ambiente arrebatou Lucena ao ponto de sucessiva e obsessivamente pintar aquela vista. Ele estudou física e psicologia, aprofundando seu interesse na natureza – humana e universal. Aquele choque visual e tátil da pedra, combinado com profundas investigações sobre a ciência e a mente humana ressoam até hoje em suas obras.

Em 2003 mudou-se para São Paulo, onde ainda vive e trabalha. Essa mudança de cenário, de uma certa forma, reconectou Lucena com seus anos formativos. Lucena gradualmente substituiu suas criaturas míticas para desenvolver desconcertantes paisagens silenciosas. Foi como se ao mudar para um lugar distante tivesse trazido suas pinturas para mais perto do lugar de sua infância.

Os primeiros trabalhos abstratos foram os primeiros passos para a complexa manufatura de suas obras atuais: infinitas camadas de tinta são acumuladas nas (e às vezes removidas das) grandes telas. Frequentemente, uma única linha fortuitamente aparece do encontro de diferentes matizes das tintas óleo que o próprio artista mistura, por vezes representando um horizonte ou uma composição geométrica. E, de tempos em tempos, ininterruptos planos – sólidos e etéreos, pesados e sutis, pulsantes e reconfortantes – emergem nas pinturas, cheios de luz e infinito, prontos para nos remeter à potente experiência do artista no sertão.

Em suas obras, Sergio Lucena é um hábil engenheiro da cor, um revelador de luz e um profícuo criador de belas superfícies – afinal, a pele das coisas também pode mostrar tanto quanto se encontra por dentro.

Julia Lima
Curadora

 

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Eduardo Fernandes